Viver de amor não é, cá nesta terra,
fixar morada no mimo do Tabor;
é, com Jesus, subir ao Calvário,
é amar a cruz com todo o ardor.
No céu, então, viverei só de gozo,
já não trerei angústias nem dor:
Agora quero, num sofrer doloroso,
Viver de amor! Viver de amor!
Viver de amor é dar sem medida,
sem o salário querer reclamar;
dou sem contar, e bem convencida,
nada recusa quem sabe amar.
Amor divino! Ó Fornalha acesa,
tudo Te dei! Corro com ardor...
eu já não tenho mais que esta riqueza:
Viver de amor! Viver de amor!
Viver de amor, que estranha loucura!
diz-me o mundo: cessa de cantar;
inutilmente, não percas a vida,
os teus perfumes sem deles gozar!
Amar Jesus, que perda fecunda!
os meus perfumes são p'ra Ti, Senhor.
Quero cantar ao sair do mundo:
Morro de amor! Morro de amor!